Com qualidade e identidade de moda, Pedro Lourenço se destaca em Paris


O tule fininho, diáfano, é italiano. O couro, francês. O design, mais do que brasileiro, é de Pedro Lourenço.


O estilista Pedro Lourenço ao fim de sua estreia na semana de Paris (01/10/2010)

Em sua estreia no calendário oficial da “fashion week” francesa, o estilista de 20 anos deixou orgulhosos seus conterrâneos mais ilustres na moda. Francisco Costa, o importante diretor criativo da Calvin Klein, que o diga. “Ele tem um trabalho muito próprio, que é o mais importante”, afirmou, entre elogios sobre a proporção, o uso do couro, os sapatos e outros elementos do Verão 2011 do jovem estilista.
Foi numa noite chuvosa em Paris, dentro de uma sala da Escola Superior de Belas Artes, em Saint-Germain-des-Prés, que Pedro Lourenço mostrou então, como pode ser considerado um dos bons destaques da moda jovem de Paris ao desfilar coleção capaz de inebriar o ambiente a cada entrada de um look tal é a força de sua personalidade de moda.
Se o que ele faz pode ser classificado como moda brasileira, talvez seja difícil e desnecessário definir. Assim como as referências de uma coleção, as origens do estilista podem ser percebidas de maneira abstrata em seu trabalho (é curioso e bonito, também, perceber a herança de estilo dos pais, Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho), preceito que Pedro segue e no qual acredita.
Por isso, o que ficou da imperatriz Joséphine e de sua relação com Napoleão no final do século 18 e começo do 19 foi a sensação de alongamento da silhueta por meio da cintura império dos vestidos daquela época. “Toda a minha coleção é cortada na altura do peito, pode reparar”, aponta o estilista. Do baseball vieram os bustos e detalhes texturizados, em relevo, com o desenho de losango, como o das bolas do esporte e as proteções usadas pelos jogadores.

Pedro Lourenço focou sua coleção para o Verão 2011 nos cortes na altura do busto

“Vertical”, como Pedro define, o verão do estilista é essencialmente recortado, com transparências dos tules que criam ilusões óticas: ora o braço parece mais fino, ora as pernas ganham desenho diferente. O comprimento é sempre longo, tanto em vestidos como com o uso das calças. Tudo, porém, é recortado, deixando os pedaços de couro flutuando ou moldando o corpo, em desenhos gráficos e geométricos. Nas costas, volumes criados a partir de um preciso (e precioso) godê que cai ao longo do corpo e forma a parte de trás do top, suspensa na altura do meio das costas, evidenciando as ondas formadas no couro, com efeito quase orgânico.
Em muitos dos looks, a peça foi criada com as mãos dentro dos bolsos. Assim, a roupa ganha um outro formato e uma memória de seu caráter funcional. Na modelagem, ainda, as calças perdem a costura central (que, aliás, pode atrapalhar o bom caimento) e ganham a horizontal, confeccionada pelo meio das pernas.
Com acabamento impecável e materiais de alta qualidade, a moda de Pedro custa caro. Se o objetivo é entrar no mercado de luxo entre os designers independentes, este parece o caminho a ser trilhado, com alguns espaços já conquistados, como a arara da coleção passada, exposta na badalada loja-galeria Corso Como, em Milão.
Obstinado, o estilista já planeja os próximos passos, que incluem organizar sua estrutura para dar conta das encomendas e, num futuro próximo, abrir uma loja. E já pensa na coleção da próxima temporada. “Vai ser algo completamente diferente.”
Por CAROLINA VASONE

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