Paris se divide entre praticidade e reafirmação do luxo


Na semana em que a H&M – uma das redes de “fast fashion” mais famosas do mundo – abriu loja na Champs Elysées com divulgação digna de maison de luxo (festa “vip”, arquiteto famoso, coleções exclusivas), o debate nas passarelas da temporada de desfiles parisienses para o Verão 2011 girou em torno de um tema complementar: deve a alta moda seguir o caminho da praticidade, ou evidenciar seu caráter de bem de consumo de luxo?
Transparências: Looks de Zac Posen, Jean Paul Gaultier e Chanel

Quase noventa apresentações de coleções mais tarde (o número seria redondo se Bernhard Willhelm não houvesse desistido na última hora), a maior parte se dividiu entre estes dois grupos. O primeiro talvez tenha como mais emblemático representante a Lanvin de Alber Elbaz, que trocou o glamour dos drapeados e muitos tecidos por uma silhueta mais ajustada e peças práticas para a “vida real”. A Dior também busca o que suas clientes precisam ou querem vestir, mas sua aposta é na sensualidade latente e tropical. Já entre os que querem demarcar bem as fronteiras entre o que é barato e o que custou muito caro para ser feito (pensando inclusive na originalidade do design), a Chanel foi a que melhor desenvolveu esta ideia.

Recortes Geométricos: Looks de Pedro Lourenço, Givenchy e Felipe Oliveira Baptista

Para o Brasil, esta foi uma temporada especial por conta da estreia do único brasileiro no calendário atual. Com intenção de investir na alta qualidade dos materiais e acabamentos,Pedro Lourenço, com apenas 20 anos, mostrou sua personalidade de moda e recebeu críticas elogiosas de veículos importantes como a Style.com e o jornal “Women’s Wear Daily”.

Camisas: Looks de Alexander McQueen, Rochas e Viktor & Rolf

Outras estreias bem-sucedidas foram as de Giles Deacon, que renovou as roupas de festa da Emanuel Ungaro e Sarah Burton, que continuou o trabalho de Alexander McQueen com investimento especial na alfaiataria.
Couro: Looks de Pedro Lourenço, Hermès e Felipe Oliveira Baptista

Entre o que deve se usar, transparências, recortes vazados ou mesmo rasgos nas roupas, ombros sutilmente em evidência e looks totais de uma única cor, incluindo até a bolsa, fazem parte dos “hits” do Verão 2011.
A seguir, veja dez tendências repetidas em muitos desfiles da semana de moda de Paris e que já podem ser incorporadas ao nosso próximo verão.

Ombro Estruturado: Looks de Chanel, Alexander McQueen e Chapurin

– Couro: Parece contraditório, mas este foi um dos materiais “sensação” do Verão 2011. E não se trata daquele recurso de fazer o verão mais invernal por conta das temperaturas mais baixas na Europa. Com os avanços tecnológicos, o couro ficou mais leve e maleável, e assim foi trabalhado em grifes como Pedro LourençoHermès, Balmain, Dior, entre outros;
– Transparências: Elas apareceram em todos os lugares, da barra da saia da Balenciaga a looks inteiros usados com hot pants ou segundas peles por baixo, como na ChanelValentino ou Zac Posen;

Recortes Geométricos: Looks de Pedro Lourenço, Lanvin e Felipe Oliveira Baptista

– Recortes geométricos e vazados: Desenhos vazados, que deixam entrever a pele ou outro tecido por baixo, com destaque para o tule, estão em alta. Entram nesta tendência também os rasgos e furos propositais;
– Listras: Não só as “navy” usadas neste verão que passou, mas também as irregulares, que parecem artesanais, como as do Kenzo. Também o listrado feito pelas tramas do tricô ou por faixas de outros tecidos é bem-vindo;

Listras: Looks de Chanel, Junya Watanabe e Kenzo

– Look total de uma cor só: Este recurso apareceu em muitos, muitos desfiles. Em alguns, até a bolsa tinha a cor combinada ao resto da roupa. A Hermès é um exemplo, assim como Elie Saab;
– Ombros em evidência: O ombro, que em outras estações já esteve não só evidente como marcante, agora aparece de forma discreta mas importante. Para este verão, a estrutura mais vista foi a da manga curta e durinha, saindo levemente para fora do corpo, com ombreiras como base e um formato triangular;

Pastel Envelhecido: Looks de Sonia Rykiel, Gaspard Yurkievich e Manish Arora

– Tons pastéis envelhecidos: O rosa combinado com o azul levemente envelhecido, assim como o rosa e o verde formam uma das paletas de cores do Verão 2011, que ainda investe em tons de pele e alguns tons vibrantes;
– Azul turquesa: Há alguns tons de azul neste verão, como o mais claro envelhecido e o royal, mas em quantidade e destaque nas aparições, o azul turquesa foi o que chamou mais a atenção e ganhou a disputa com o rosa pink, que também foi utilizado, mas com menos reincidência;

Turquesa: Looks de Christian Dior, Pierre Cardin e Louis Vuitton

– Camisa: Peça não tão usada pelas brasileiras fora do ambiente de trabalho, a camisa ganhou várias versões em diversos desfiles. A alfaiataria no geral também continua sendo item desejado para o guarda-roupa da mulher no Verão 2011. A diferença agora é que se trata de uma alfaiataria bem diluída, servida mais de apoio do que como peça principal do look;
– Renda: Desde que a Prada ressuscitou, há cerca de dois anos, a renda no mundo fashion, ela não parou mais de aparecer. E neste verão não será diferente. Tome cuidado apenas com a maneira como for usar a renda. Evite misturar renda e transparência (algo bastante feito nos desfiles, com riscos consideráveis de se fazer em casa sem ficar vulgar).

Rendas: Looks de John Galliano, Nina Ricci e Jean Paul Gaultier
Por CAROLINA VASONE

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