Para tornar luxo "acessível", grifes ampliam parcelas e linhas "baratas"


Logo que a Tiffany foi fundada, em 1837, as peças eram tão exclusivas que tinham numeração. Quando uma joia perdida chegava às lojas da grife, um funcionário a identificava e a devolvia para a casa do dono, pelo correio.
O símbolo de exclusividade inspirou a linha “Return to Tiffany”, que tem a peça mais “acessível” da grife, um pingente de prata cujo preço passa de duas centenas de reais. É o que a joalheria chama de luxo para todos.
O conceito de “luxo acessível” tem estimulado as manufaturas do segmento a ampliar promoções e parcelamentos e a desenvolver itens mais “baratos”, geralmente pequenos acessórios, que servem de porta de entrada para novos consumidores.
“A ideia é que todos possam consumir um produto Tiffany. E o consumo é uma experiência singular. Por R$ 215, a pessoa recebe um pingente na caixa azul e abre o laço de fita Tiffany, que nunca dá nó”, diz Sandro Fernandes, gerente-geral.
Há três meses, a Tiffany passou a parcelar as compras em até dez vezes. O limite, até então, era de três prestações.
O Brasil foi o primeiro país em que a joalheria permitiu dividir o pagamento. E hoje as duas lojas da marca em São Paulo são as únicas do mundo que parcelam as compras em até dez meses.

Editoria de Arte/Folhapress

A Salvatore Ferragamo também ampliou o prazo de pagamento. As prestações em dez meses só eram permitidas nos dias que antecediam datas especiais, mas neste fim de ano a marca resolveu estender a promoção.
Para conquistar novos clientes, a Ferragamo prepara o lançamento de uma linha de sapatos mais “em conta”. “A gente se preocupa em atender esse cliente que quer vestir Ferragamo, mas procura preço um pouco melhor”, diz Mariana Nashalla, diretora da marca no Brasil.
ATRAIR OS JOVENS

A diretora de Marketing da Cartier no Brasil, Véronique Claverie, destaca que a crise econômica mundial motivou a marca a relançar a linha “Les Must de Cartier”, coleção com acessórios em couro, isqueiros e objetos coloridos. A linha havia sido criada na década de 1970 e, atualmente, é campeã de venda.
“Faz parte de uma estratégia global da Cartier atrair públicos novos, seja um público mais jovem ou um público que vai viver suas primeiras experiências com luxo”, afirma a diretora.
No Brasil, uma das estratégias é ampliar a presença em cidades menores. A intenção é instalar quiosques em lojas de revenda pelo país.
As grifes brasileiras H. Stern e Ricardo Almeida também miram os jovens.
O estilista que faz os ternos de Lula lançou há poucas semanas uma linha de jeans “para atingir o jovem que gosta de ir para a balada”. E a H.Stern reforçou os itens da linha MyCollection, que traz peças joviais, como um berloque em forma de caveira.
“Os jovens brasileiros não se preocupavam com design e com produtos exclusivos. Hoje eles têm essa preocupação”, diz Christian Hallot, “embaixador” da H.Stern.
Segundo ele, a joalheria tem procurado se adaptar ao jeito de consumir dos jovens.
“Em vez de comprar uma joia de R$ 2.000, eles preferem quatro de R$ 500.”

POR VERENA FORNETTI

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