Reserva, no SPFW Verão 2012, satiriza sistemas ditatorias, inclusive na moda


Reserva foi a última a desfilar no primeiro dia da SPFW, nesta segunda-feira (13), e trouxe o tema Cuba Libre à sala 1 do prédio da Bienal do parque do Ibirapuera, em São Paulo. Muitos, a princípio, podem achar que a coleção critica o sistema político cubano tendo como figura central Fidel Castro, no entanto a vara dobra mais para baixo. A figura do ditador fica por conta de Chaplin no filme O Grande Ditador e a sátira ao totalitarismo se estende à moda também. Rony Meisler, diretor criativo da marca, em entrevista ao Terra havia dito que ‘o mercado de moda estava um saco, música de uma nota só”, então, sob o pensamento de reinventar o básico, a equipe da Reserva partiu rumo a uma Cuba triste por dentro e alegre aos olhares do estrangeiro, um país que tem pontos de contato com o circo, no picadeiro gargalhadas e alegria, nas coxias isolamento e decadência.
O pano de fundo da passarela/picadeiro era a icônica imagem de Che Guevara, só que na cenografia da Reserva, Che ganha nariz de palhaço. Ao longo da passarela, mesas para o trabalho mecânico dos enroladores de charuto. Antes do primeiro modelo abrir o desfile, atores de bigodes e trajados em camiseta branca básica, calça militar e coturno entram em marcha, sentam em sua baias de trabalho e executam a labuta de sua mais valia.
O protesto fashion é liderado por Marlon Teixeira para em seguida integrar o restante do casting engajado o cubano Ariel Iglesias e Mateus Verdelho. Nas roupas a coloração é gasta, os tricôs de rayon transparentes ou de pontos mauais relaxados. As estampas aparecem no frescor do mojito e da CUC, moeda local rodada exclusivamente para turistas. Para os padrões, listrados e xadrezes revistados em tricô e malha. Há o camuflado militar também.
A propóstio, o militarismo aparece como proposta de moda da Reserva, mas não traz a rigidez, ao contrário, as peças ganham leveza no linho e tricoline.
As calças masculinas vêm curtas. Alguns cardigãns maximixados. Desproporções nos ganchos alongados, golas duplicadas e bolsos de proporções exageradas propositalmente. O lado lúdico para os hombres acontece nas camisas, que se transformam em calças e nas mangas que são adornos e não sustentam nada.
Dentre os acessórios, chapéu de panamá, joias em prata, broches no formato de medalhas e condecorações, cordões de guerra, cartões de crédito que funcionam como placa de identificação e o cortador de charuto em forma de soco inglês.
E se no transcorrer do desfile os modelos entravam com charutos na boca ou entre os dedos, na fila final, eles aparecem com narizes de palhaços em ouro velho.
No inverno a Reserva abordou a decadência da América, no verão o argumento é a decadência de um sistema político.

O pano de fundo da passarela, que se transformou num picadeiro, era a icônica imagem de Che Guevara

A Reserva foi a última a desfilar no primeiro dia da SPFW e trouxe o tema Cuba Libre

Desfile da grife Reserva na SPFW


Fotos: Felipe Panfili/Terra


POR ALE OUGATA

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