Alta costura “boa para cachorro”


Somente nos Estados Unidos mercado para animais de estimação movimenta US$ 47,4 bilhões por ano. E o luxo já chegou ao setor

Por Agência EFE
Modelos caninos exibem suéteres de fibra de alpaca da Wof Couture, feitos na Bolívia

pioneira boliviana na alta costura para cães é Paola Zapana, jovem microempresária, especializada em moda para animais de estimação, que exporta para os Estados Unidos peças de alpaca e do tradicional “aguayo” andino, tecido feito à mão com desenhos geométricos, típico dos povos quíchua e aimará, sob a marca Wof Couture.

A empreendedora Paola Zapana

A paixão de Paola pela roupa para cães despertou há seis anos, quando ganhou sua “filha” Margarita, uma simpática e educada cocker spaniel inglesa. Na Bolívia, então a ideia de cuidar, mimar e vestir o animal de estimação “para prolongar seu período de vida” não estava tão desenvolvida e a empresária não conseguiu achar no mercado roupa que identificasse sua Margarita como fêmea.
“Comecei a comprar para ela roupa pela internet vinda dos Estados Unidos, mas tudo o que comprava era feito na China, Índia e Hong Kong. Eram coisas bastante simples; podiam ser feitas aqui”, diz Paola.
Um nicho de mercado 


Assim começou a gerenciar a empresa PUG Pet Fashion, para confeccionar e vender roupa fina para cachorros no mercado local, com o lema “onde se encontra um vazio no mercado, há possibilidade de negócio, porque alguém tem que preenchê-lo”. Paola lembra que então estava fazendo um mestrado em administração de empresas e decidiu apresentar o plano de negócios de sua firma de roupa canina como tese, perante a surpresa, riso e ceticismo de seus companheiros e professores.

A surpresa de todos foi maior quando a empreendedora não só conseguiu a segunda nota mais alta no mestrado, mas aceitou o risco e investiu todas as suas economias para montar sua empresa. Os primeiros frutos começaram a aparecer em 2007, quando lançou na Bolívia a primeira “Coleção Outono-Inverno da PUG”, uma linha que segue as tendências americanas de moda canina, com tecidos de boa qualidade, cores vistosas e modelos inovadores.
Pouco a pouco, Paola abriu campo no mercado boliviano, mas sempre impulsionada por uma meta maior: exportar suas peças finas de alpaca e outros camelídeos andinos para os EUA. “Lá, ao contrário de outros países, inclusive os europeus, há dados impactantes do consumo relacionado com a criação e o cuidado de mascotes”, diz.


Com o mercado boliviano consolidado, a empresária decidiu dar um salto para o maior mercado consumidor do mundo, onde um dos poucos setores que não foi muito afetado pela crise financeira é o da venda de acessórios e roupa para cães.
Paola decidiu apostar nas matérias-primas dos Andes, sempre chamativas e de grande aceitação no exterior, para fazer as peças de alta costura para cães. No final de 2007, ela fez seus primeiros modelos de casacos para cachorros com fibra de alpaca de Suri e alpaca-bebê, que são “muito finas e mais resistentes que o cashmere” (caxemira), e os enviou para a semana da Moda Canina de Nova York de 2008.

Lãs de camelídeos andinos
Foi aceita e assim chegou aos EUA a marca boliviana Wof Couture, com abrigos e suéteres de fibra de alpaca para cães de raças pequenas, feitos pensando no outono e inverno do Hemisfério Norte.
Alguns casacos caninos são de cores inteiramente escuras, outros com dois tons diferentes, combinando alpaca com peles falsas, ou enfeitados com bordados, lantejoulas e botões, enquanto os suéteres são mais coloridos, majoritariamente de listras. Sem incluir envio nem transporte, um destes suéteres de alpaca custa US$ 28 e um casaco US$ 45, pagos com gosto pelos amantes dos animais de estimação.
Em 2009, a Wof Couture acompanhou a moda dos “aguayos”, divulgada na Bolívia pelo presidente Evo Morales, em cujas jaquetas costuma incluir desenhos desse material, e a firma incluiu em sua oferta jaquetas e suéteres dessa tela andina.
Um mercado de US$ 47,4 bilhões

A despesa dos EUA em alimentos, remédios, roupa, cuidados e acessórios para animais de estimação atingiu em 2010 o nada desprezível número de US$ 47,4 bilhões, segundo a Associação Americana de Produtos para Animais de Estimação.

Para Carola Capra, diretora-executiva da fundação privada Novo Norte, o lucro de Paola se explica porque ela “se direcionou adequadamente” para um nicho “interessante” e combinou seu bom olfato para os negócios com “esforço, dedicação e amor pelos cães”.
“É uma iniciativa que mostra o ímpeto empreendedor dos jovens. Ela identificou uma oportunidade no mercado e viu que características poderiam diferenciar a proposta de uma oferta boliviana a partir de produtos próprios”, opina Carola, cuja organização promove o desenvolvimento de La Paz.
Gary Rodríguez, gerente-geral do Instituto Boliviano de Comércio Exterior, entidade privada que assessora os exportadores, assegura que “o comércio está aberto para todas as iniciativas, porque sempre haverá alguém disposto a comprar algo inovador”.
“O maior mercado consumidor do mundo, os Estados Unidos, não somente é importador de matérias-primas, mas também deste tipo de aprimoramentos, e quando alguém sabe descobrir isso, pode aproveitar e fazer um grande negócio”, afirma.
Rodríguez acrescenta que a Bolívia segue os passos de outros países neste campo, pois ao contrário do que ocorria há alguns anos, já não é estranho oferecer produtos “de luxo” para os animais de estimação, citando como exemplo os hospitais especializados instalados na cidade de Santa Cruz.
La Paz não fica atrás, pois nos últimos anos proliferaram as empresas de produtos para cachorros. Desde 2009, a empresa Valdivia oferece serviços funerários para mascotes, incluindo o enterro em seu cemitério “Amigo Fiel”.

Por Gina Valdivieso

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