Alta-costura francesa aposta no luxo minimalista


Fotos: Getty Images
Chanel, Dior e Elie Saab são algumas das grifes da Paris Fashion Week
Espera-se quase sempre dos desfiles de alta-costura uma profusão de brilhos, tules e tafetás, bordados mais do que luxuosos, pedraria e muito dourado. Tudo com pompa e circunstância. Claro que não faltaram vestidos de sonhos, inspirados em princesas, aliás, nas princesas modernas que têm povoado o imaginário plebeu, principalmente após o casamento real inglês. Houve espaço, porém, para transparências e brilhos e uma pegada andrógina, com terninhos, calças e paletós usados juntos ou compondo com outras peças femininas.
Mas o restrito grupo de estilistas que fazem parte da Câmara francesa de Alta-Costura, entre eles o brasileiro Gustavo Lins, apontou um caminho: o luxo atual é minimalista e sem ostentação. Dá para apostar nas velhas e manjadas frases “menos e mais”, ou “a riqueza está nos detalhes”. Nesses detalhes entram o que representa de verdade a alta-costura: vestidos exclusivos com acabamentos impecáveis, feitos sob medidas para as clientes endinheiradas ou para as celebridades que desfilam as criações nos tapetes vermelhos.
As silhuetas não são exageradas, apesar das ondas e da profusão de babados da Christian Dior, pela primeira vez sem John Galliano no comando. Seu sucessor interino foi Bill Gaytten, por vários anos braço direito do inglês demitido. O desfile teve aquele certo grau de dramaticidade que o mundo fashion estava acostumado, mas pelo que a crítica especializada tem dito, ainda não se chegou aos pés de Galliano, mesmo o desfile fazendo algumas referências a ícones Dior, como o tailleur Bar, do New Look.
Foi Dior também que trouxe as principais pinceladas coloridas da semana de moda parisiense de alta-costura, mas os tons dominantes foram os escuros, como preto, cinza e azul-profundo. Essas tonalidades sombrias se iluminavam com brancos e neutros. Givenchy, de Riccardo Tisci, mostrou 10 vestidos às margens do Sena, de silhueta ajustada, longos e praticamente todos brancos, menos o nude bordado, usado pela brasileira Izabel Goulart.
O estreante na semana de alta-costura Giambattista Valli também explorou branco, preto e coral, com lindos contrastes preto-e-branco, alguns em silhuetas retas e ajustadas, mas saias amplas e volumosas também fizeram parte da apresentação.
Já as tonalidades básicas e neutras claras também coloriram os desfiles, como no de Valentino, grife que se inspirou na realeza russa, com peças transparentes. E joga-se um pouco de vermelho aqui, como na própria Valentino; estampas coloridas ali, como na Dior Privé; ou fúcsia acolá, como na Chanel, além de suaves azuis bordados, de Elie Saab, e tem-se a cartela de cores.
Eterno
Aliás, Karl Lagerfeld lembrou os estilos Chanel em quase toda sua coleção, a começar pela primeira parte, com seus tailleurs de tweed, mais uma vez se provando eternos, mesmo nas versões longas. Depois, vieram os vestidos próprios para os tapetes vermelhos, com transparências, volumes estratégicos e glamour. E se teve o fúcsia, os tons principais foram os escuros e sóbrios, sempre amados por Coco Chanel.


Assim como o preto foi a cor principal de Armani Privé, com sua inspiração no Japão ¿ talvez pelo fato de o estilista participar junto a Unesco de ações para reconstrução do país após o terremoto/tsunami de março. Com muitas calças retas e jaquetas de corte oriental, o estilista italiano trabalhou com algumas dobraduras inspiradas nos origamis, e com muitas faixas Obi, dos quimonos. Estampas de cerejeiras ou de leques iluminavam a coleção, de silhueta bem seca, nada com excesso, dentro desse minimalismo tão próprio de Armani.
Plumas
Jean Paul Gaultier apostou nas penas e plumas para sua alta-costura, com peças vindas do guarda-roupa masculino, que se misturavam com profusões de tules em saias que lembravam tutu de balé. Ele levou também homens com saias às passarelas. E os tules também não ficaram de fora da coleção de Elie Saab, com seus vestidos transparentes, ricamente bordados, e com algumas saias mais esvoaçantes, mas tudo sem pecar nos exageros.


Segredo
Aliás, sem excesso também foi o desfile do tunisiano Azzedine Allaïa, e aqui nem dá para falar muito, porque depois de anos sem apresentar desfiles, ele fez uma pocket-apresentação em seu ateliê no bairro de Marais, para raros convidados. Após ter declinado do convite de substituir Galliano na Dior e ter falado mal de Anna Wintour, a diretora da Vogue América, afirmando que ela não se veste bem e que ninguém vai se lembrar dela daqui a alguns anos, Alaïa resolveu mostrar sua coleção Couture para poucos e sem fotógrafos de moda. Fica-se então, por enquanto, apenas na vontade de desvendar sua criação. Lembrando que ele foi ícone nos anos 80, com suas segundas peles e seus trabalhos em couro.
POR ROSÂNGELA ESPINOSSI

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